“Marginal” exibe arte jovem das periferias

12 de maio de 2016

À margem dos territórios criativos convencionais, a juventude popular carioca transita por novas experiências artísticas para expressar seus sentidos.

Os 31 projetos que compõem a Mostra Kabum! Marginal são o resultado de nove meses de experimentações, pesquisas e aprendizados de 56 jovens de diferentes regiões da cidade.

Por meio de fotografias, vídeos, projetos de design e animações, eles refletem sobre suas vivências pessoais e relacionais e encaram a cidade como um enigma a ser decifrado e reescrito.

Experiências traumáticas como uma internação psiquiátrica, o assédio sexual, a homofobia, o racismo, a depressão e a violência urbana encontram na arte canais de comunicação com o outro. E se a rotina às margens do valão de Rio das Pedras fosse recriada poeticamente? E se o impulso da fé pudesse se manifestar sem dogmas nem preconceitos? E se a moda se libertasse de gêneros e de imposições mercadológicas? E se o estigma do jovem em conflito com a lei fosse questionado por meio de personagens ambíguos como “ursinhos infratores”?

De pergunta em pergunta, esses artistas com idades entre 17 e 22 anos criaram uma exposição multimídia com curadoria coletiva e identidade marginal: sem medo do desconhecido e sem se sujeitar a rótulos fáceis, eles oferecem outras narrativas possíveis.


Mostra Kabum! Marginal

19 a 21 de maio, 18h às 21h

Rua Visconde de Pirajá, 54

 

CONVITE_ELETRONICO

 

Os projetos e seus autores:

 

Acontece (computação gráfica), de Marcos Campos — A bala perdida e o sofrimento de uma mãe: “Acontece”.

A Escavadeira (computação gráfica), de Yan Hill e Yuri Sousa — O que é sanidade? Uma enorme e ambiciosa máquina. Autodestrutiva. Ela segue em direção ao centro. A escavadeira.

A.mar (fotografia), de Tainá Barbosa — “Meu medo do mar foi se transformando em respeito: em saber lidar com meus limites e sensibilidade”. Ensaio de fotos subaquáticas transmitem os diversos sentimentos provocados pelo mar.

A procura do poeta (vídeo e computação gráfica) Ana Julia Gomes, Eloi Leones, Kareym Assis, Robson Deluqui, Rafael Gino, José Paiva, Matheus Calleb — Narrativa em cordel, conta os encontros e desencontros de Humberto e Mariana, um casal que experimenta a arte e outras formas de se expressar.

Brechoqe (design e fotografia), de Weyni Rodrigues, Kaizlu — Catálogo de moda com peças de brechó e outras novas customizadas. A proposta é incentivar a criação de um estilo único, a valorização da cultura brechó e a sustentabilidade.

Caixa Mágica (design e fotografia), de Ana Clara Lima, Claudia Lopes, Elisângela Oliveira, Liliane Marinho — Marca de brinquedos construídos com materiais reciclados. A proposta é incentivar a brincadeira entre crianças e seus responsáveis e contribuir com o reaproveitamento de materiais como caixas de sapato, embalagens de alimento, garrafas pet e tampinhas.

Cai na Pilha (design), de Mari Balzac e Erivan Jesus — Identidade visual de um canal no Youtube especializado em jogos eletrônicos.
Compondo-se (design), de Liliane Marinho — A partir de um modelo padrão e um cartão personalizado com perguntas, cada pessoa que recebe um boneco de papelão e pode criar seu personagem, com as características e sentimentos com que se identifica.

Desarmário (design e instalação multimídia), de Gustavo Ruivaco, Luiane Amorim,Thaynná Bastos — Dentro de um armário, imagens e depoimentos colhidos em pesquisa com 80 pessoas narram experiências sobre homofobia e o processo de assumir a sexualidade.

De Sangue (fotografia), de Jefferson Balbino — Uma relação familiar, quente e fria, doce e salgada, de brigas e sorrisos, repletas de aprendizados de ser irmão, de amar, de compreender o que sou, o que somos.

Desejo (fotografia), de Math Guansê — Um olhar voyeur destacando as partes do corpo masculino, em seus detalhes, cores, músculos e formas.

Fé-Mix (fotografia), de Lucas Aniceto — O imaginário popular da fé e dos dogmas. Associando os quatro elementos da natureza (água, fogo, terra e ar) com a relação de auto-sustento psicológico, físico e possivelmente espiritual, o projeto questiona o que há de laico no território brasileiro e onde habitam os seus preconceitos.

Flores (desenhos), de Juliana Lossio — “Entre idas e vindas ao psicólogo, entre progressos e regressos, me vejo perdida no jardim, em meio a flores que eu mesma criei e que chegam até você com o desenho, com o sonho de uma mulher que utiliza as cores e traços para comunicar o mundo, comunicar sentimentos, compartilhar flores”.
Glitchados (vídeo e projeção) de Kareym Assis, Eloi Leones, João Vitor da Silva e Robson Deluqui — Aparelhos eletrônicos se tornam extensões do nosso corpo. O resultado é o glitch, um efeito marginal.

Identidades Visuais (design gráfico), diversos autores — Projetos de identidade visual (marca, papelaria, objetos, manual de aplicação) para serviços comunitários e de profissionais autônomos.

Indícios (vídeo), de Taís Sales de Moraes, Rachel Guimarães, Gabriel Aguiar, Alec Silva e Matheus Peixoto — Indícios, aquilo que ocorreu ou existiu. Inspirado em uma história de esquizofrenia, o curta é uma mistura de drama, suspense e romance. A trajetória de Arthur por dilemas, conflitos e as surpresas que nascem das relações.

Invasão (fotografia e som), de Dáurea Gomes — “Eu tinha cerca de 12 anos, lembro de brincar na rua perto de casa e receber cantadas e olhares que me marcaram de forma negativa. Era um misto de medo e insegurança, mas eu nem sabia o perigo ou as consequências da violência contra a mulher. Hoje eu sei”.

Margens de um Rio (fotografia), de Adão Paiva — Há mais beleza nas margens do que você poderia supor. Um convite para olhar ao seu redor e para dentro, enxergando o Rio que caminha em direção à memória e a luta.

O trem é um verso (fotografia), de Yuri Leal — Entre Linhas e Estações, sempre há seus passageiros, bairros e municípios. A vida passa como o trem pelas estações e a fotografia o registra. O trem é um verso.

Palavrear (computação gráfica), de Alan Paixão, Loraz Lopes, Marcos Campos e Monique Silva — Animação sobre o significado das coisas através dos olhares das crianças.

Pormenor (fotografia), de Thársila Lindolfo — O projeto é um convite para olhar para a natureza por ângulos diferentes, apreciar cada detalhe. Seu pormenor.

Reconto (vídeo), de Jardel Magalhães, Jeniffer Oliveira e Yuno Belikov — Samuel, um diário, algumas histórias, muitos conflitos, uma atitude, a mudança. Reconto é um curta, um convite para imersão, para libertar histórias.

Revisto (fotografia), de Pamela Vaz , Math Guansê, Ana Luisa Silva — Um ensaio de moda sem gênero. Questiona barreiras sociais que ditam quais cores e formas são femininas ou masculinas e convida todos a experimentar outras formas de se vestir.

Rio: por onde eu te vejo (fotografia), de Tereza Lumo — A relação das pessoas com o lugar onde moram: o Rio de Janeiro por ângulos desconhecidos, paisagens vistas a partir das janelas de diferentes moradores.

(fotografia e som), de David Carvalho — Uma investigação do território emocional, no exercício de fotografar a si mesmo: a relação entre o homem e a câmera, entre perder e encontrar, ter e abandonar.

Sobre: Viver e Voar (fotografia), de Adão Paiva e Tainá Barbosa — Por meio de reflexos de espelhos, olhares poéticos sobre a Rocinha e o Rio das Pedras.

Solta (computação gráfica), de Fabio Ritter, Washington Santana e Hudson Figueredo — Atacada por diferentes julgamentos, uma mulher foge e cai numa realidade alternativa dentro do próprio cabelo, representando o processo de reafirmação da identidade negra.

Te ver (ilustrações e animação), de Ysla Chagas e Carlos Santos — Campanha de valorização de boas ações do cotidiano, para estimular a compreensão e o cuidado com o outro diante dos conflitos vividos diariamente nas relações sociais.

Trança (fotografia), de Dáurea Gomes, David Aldea e Jefferson Balbino — As ideias de entrelaçar cor, união, origem e resistência compõem ensaio fotográfico com modelo negro que afirma a beleza e origem africanas.

Um por dia (computação gráfica e vídeo), de Allan Paixão — Narrativa poética sobre o trajeto, as dificuldades e as lutas diárias no ramal de trem Santa Cruz-Central.

Ursinhos infratores (computação gráfica), de Rayane Pires, Ingrid Queiroz, Carlos Santos — Um jovem sem rótulos pode ser um artista, um filho, um infrator e um cidadão. A animação mostra três visões sobre um jovem, representado por um ursinho.

 

Orientadores:

Computação Gráfica — Bernardo Alevato

Design — Luciana Perpétuo de Oliveira

Fotografia — Eliane Heeren e André Monteiro

Vídeo — Noale Toja e André Monteiro

Design Sonoro — André Protasio

Textos — Soraia Melo

Arte Digital — Bruno Vianna

História da Arte e Tecnologia — Tatiana Martins

Web — Marcos Braz

Desenvolvimento Pessoal e Social — Noni Ostrower

 

Identidade Mostra Kabum! Marginal:

Design gráfico — Luciana Perpétuo de Oliveira, Milton Andrade Educado e Nícolas Noel

Computação gráfica — Bernardo Alevato e Allan Paixão

 

Equipe Oi Kabum! Rio:

Coordenação — Lorenzo Aldé e Fernando Mozart

Educadores — André Monteiro, André Protasio, Bernardo Alevato, Bruno Vianna, Eliane Heeren, Luciana Perpétuo de Oliveira, Marcos Braz, Noale Toja, Noni Ostrower, Soraia Melo eTatiana Martins

Produção — Bianca Rocha

Secretaria — Danielle Moreira, Thaís de Oliveira e Valéria Brito

Apoio — Daiane Soares de Souza

Núcleo de Produção — Daniela Tafuri (coordenação), Clara Dias Nascimento, Nícolas Noel e Ricardo Aleixo

 

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