Manguinhos e seus caminhos realiza primeiro encontro de mobilização

2 de agosto de 2016

O dia 28 de julho foi um dia de compartilhar aprendizados e desafios para o projeto Criança Pequena em Foco, em Manguinhos, onde desenvolve ações que viabilizam a participação infantil desde 2015, em parceria com a escola municipal Professora Maria de Cerqueira e Silva. O encontro teve como objetivo apresentar o resultado da pesquisa realizada em 2015 com as crianças que moram na região e identificaram 5 principais problemas.

A Biblioteca Parque de Manguinhos cedeu o espaço e contribuiu para que um público espontâneo se interessasse por saber mais do cartaz que estava afixado à porta com o título: Manguinhos e seus caminhos.

O encontro durou pouco mais que duas horas e garantiu diversidade e representatividade entre moradores, profissionais que trabalham na área de saúde, educação e transporte na região, mães e pais de crianças que participam de projetos sociais em Manguinhos e três crianças que participam do projeto desde o inicio de 2016, acompanhadas de um secretário da escola.

O resultado da pesquisa e a condução do encontro ficou por conta das facilitadoras Mariana Koury e Raquel Ribeiro, com os apoios de Rafaela Pacola e Soraia Melo.

Para abrir o encontro, o diretor do CECIP e cartunista Claudius Ceccon falou sobre as mudanças estruturais que a região tem passado e que, na maior parte das vezes, não são mudanças participativas. Ele comentou sobre a metodologia do CECIP que busca se pautar a partir da escuta do outro e a proposta para aquele encontro era apresentar a devolução da pesquisa, a partir das questões levantadas e legitimadas pelos representantes da população pensar em um plano de ação colaborativo.

Mariana apresentou o mapa da região e comentou que os cinco principais problemas apresentados na pesquisa fora: o lixo, a falta de calçadas, a sinalização com semáforos, placas e lombadas, as motos, a rua nova e, perpassando todas essas questões, a ausência de participação da população no planejamento urbano.

A metodologia do encontro previu uma rodada de apresentação, a exibição de um vídeo contando um pouco sobre o projeto, os resultados da pesquisa, a localização das questões no mapa do território e a complementação dos problemas identificados por meio de uma dinâmica interativa.

Jane Maria, fundadora do Fórum de Manguinhos e atuante no movimento “Mulheres de Atitude”,  foi a primeira pessoa a chegar, participativa e atuante na resolução dos problemas da região ela destacou os atropelamentos constantes, principalmente próximo das áreas de lazer, parques e escolas, comentou inclusive que já realizaram um abaixo-assinado para sinalizar a área próxima do Correio.

Maura Santiago,  da Biblioteca citou inclusive que muitos carros de motoristas em treinamento fazem treinos no entorno da Biblioteca, o que representa um perigo para quem caminha em direção a casa ou ao trabalho.

A CET Rio esteve representada por Leonardo Cavalcante, do Departamento de Educação para o Trânsito. Ele apresentou informações relevantes para as questões apresentadas pelos participantes do encontro, como a grade na calçada da Leopoldo Bulhões, apontada como incômodo por crianças e adultos que utilizam a via. Segundo a CET Rio já houve inúmeras reclamações, mas cabe a CEDAE fazer a remoção.

A diretora do ballet de Manguinhos, Dayana Ferreira contou que a insegurança inibe muitas crianças de participarem de atividades artísticas, pois os pais não podem acompanhar as crianças por causa do trabalho e não permitem que elas possam ir sozinhas, pois tem que atravessar ruas a Avenida Leopoldo Bulhões para irem ao outro lado, a região onde fica a Biblioteca, conhecida como Desup.

Dayana ainda comentou sobre as muitas mudanças ocorridas na região nos últimos dois anos. Ela contou que em 2014 fez um ensaio fotográfico com o grupo do ballet e ao refazer este ano percebeu que a maior parte dos lugares já contava com novas construções e mudanças estruturais.

Norma Maria é psicopedagoga, mora na região, é mãe de um filho de 18 anos com paralisia e isso a motivou a criar o projeto Marias, um coletivo de mulheres, mães de pessoas com deficiências e necessidades especiais. Ela trouxe a questão da acessibilidade como um ponto fundamental para a construção dos espaços de participação.

O José Luiz Soares que trabalha na Biblioteca Parque questionou a estrutura das favelas. Ele disse que tem dúvida se as calçadas funcionam nas favelas, pois os moradores sempre ampliam suas casas tomando o espaço que seria das calçadas.

Outro ponto trazido pelo grupo foi o nome das ruas que não são legitimados pelos moradores. Segundo eles, há ruas que as pessoas conhecem por nomes diferentes o que dificulta muito a localização e a circulação de informações pelo território.

Para concluir essa primeira etapa, Raquel mostrou imagens de projetos inspiradores no Rio e São Paulo em que a participação infantil é valorizada. Mariana comentou que a proposta para o próximo encontro é desenvolver um plano de ação e que poderíamos pensar numa data para setembro.

Claudius sugeriu que os participantes listassem e envolvessem outras instituições que já pensam o território e desenvolvem ações na região e poderiam somar no próximo encontro. Como desafio, ficamos com o desejo de convidar e envolver mais crianças nas tomadas de decisão. O grupo mobilizado já começou a pensar em grafiteiros, artistas e educadores que podem contribuir para a mudança que todos queremos.

 

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