O Fórum Social Mundial completou 10 anos solenemente ignorado pela chamada grande mídia. Para quem não foi a Porto Alegre e esperava acompanhar pela imprensa o que se discutiu por lá, a cobertura foi decepcionante.
Isso demonstra, uma vez mais, por que faz tanta falta o respeito ao nosso direito a uma informação equilibrada. É uma discussão que não tem fim: neutralidade não existe e isenção é meta a ser incansavelmente perseguida. Mas como estamos longe disso!
A cobertura do Fórum Social Mundial é medíocre e incompetente: uma mistura da determinação editorial de ridicularizar o evento, taxando as propostas ali apresentadas como utópicas, na pior acepção da palavra, isto é: irrealizáveis, inconsequentes.
Um resumo da fala de Lula no dia 27 de janeiro, tuitado por Renato Rovai (@renato_rovai) revela questões omitidas pela mídia na cobertura do FSM, apesar de representarem uma pauta rica, tanto para a os grades veículos quanto para a imprensa progressista.
”Um outro mundo é possível”, defende o FSM. Uma outra comunicação também. O fato de o evento ganhar cobertura independente ao vivo, via Twitter, já é uma mudança. Mas é preciso ir além.
Alguns pontos que não foram mencionados na cobertura que a mídia comercial faz do Fórum Social Mundial:
Lula finalizou seu discurso agradecendo ao movimento social pela solidariedade que tem prestado a ele e ao seu governo. Prometeu transformar o processo das conferências em lei: “Farei isso para que a sociedade continue sendo ouvida. Porque tem político que parece ter três bocas e um ouvido só. Eles não querem ouvir a sociedade”. Sobre a Conferência da Comunicação, comentou que "teve empresário que não foi. Mas os que foram viram que lá ninguém morde ninguém”. Afirmou que a delegação brasileira apresentou em Copenhage a mais séria de todas as propostas, o que pegou países ricos de surpresa. Quanto à solidariedade brasileira, lembrou que ela não é só ao Haiti, nem só na hora da tragédia. Um exemplo: o Brasil tem hoje outra política com a África, enviando técnicos da Embrapa (respeitada internacionalmente como centro de excelência em pesquisa) para desenvolver projetos em Gana. Uma das consequências: a descoberta de que o solo africano é semelhante ao do Centro Oeste brasileiro, e pode produzir soja. Quanto às cobranças feitas ao seu governo: “Quanto mais a gente fizer, mas as pessoas reivindicam. Tem gente que acha isso ruim. Eu acho que esse é o nosso papel no governo”.
No Youtube, outro canal democrático de comunicação, também podem ser encontrados vídeos que registram o que acontece no Fórum Social Mundial.
Claudius Ceccon Diretor do CECIP
Foto: Renato Araújo/ Agência Brasil
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