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No dia 11 de setembro foram lançadas, em São Paulo, duas obras que aparentemente não têm relação entre si, a não ser o fato de que ambas são produtos de trabalhos realizados pelo CECIP, e das reflexões que essas experiências suscitam.
O livro Conflitos na Escola - Modo de Transformar traz reflexões e experiências que ajudam a entender as origens dos conflitos que ocorrem no ambiente escolar e dá sugestões sobre como gerenciá-los, transformando-os em fonte de aprendizagem e diálogo - antes que, por medo ou incompreensão, venham a se expressar de forma violenta. O livro foi escrito a dez mãos, por pessoas de duas instituições, o CECIP e a APS (Centro para o Aperfeiçoamento de Escolas, sediado na Holanda), que se uniram para divulgar experiências de êxito em ambientes os mais variados, no Brasil, nos Estados Unidos e na Holanda.
Já o livro CCCRIA - Centro Cultural da Criança, O Castelo das Crianças Cidadãs narra a experiência que se desenvolve na favela Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro. Ali, crianças com idades entre 4 e 10 anos estão vivendo algo que pode inspirar políticas públicas para comunidades pobres em periferias dos grandes centros urbanos. O CCCria é um espaço protegido, onde as crianças, no contra-turno, brincam e têm acesso a bens culturais normalmente fora do seu alcance. E não apenas isso: vivem uma experiência em que a autonomia e o aprendizado e exercício do diálogo e do debate democrático acontecem concretamente, no dia-a-dia, abrindo-lhes novas perspectivas de vida.
O lançamento fez parte da Primavera dos Livros, promovida pela editora Imprensa oficial de São Paulo.
A versão carioca do evento está marcada para novembro, no Museu da República, com direito a apresentação das crianças do CCCRIA. Nos próximos dias divulgaremos a data e o horário. Confira!
Conflitos sim, violência não
O livro Conflitos na Escola - Modos de Transformar traz idéias e ferramentas para gestores, professores e estudantes evitarem que os conflitos do dia-a-dia escolar, agravados muitas vezes pela dificuldade da escola em favorecer a construção de vínculos e de significado, virem violência.
Foi escrito por especialistas brasileiros e holandeses do CECIP e do APS International: Claudia Ceccon, doutoranda em Liderança Educacional pela Universidade de West Michigan; Claudius Ceccon, cartunista e educomunicador; Madza Ednir, pedagoga e mestre em Educação pela PUC-SP; Boudewijn Van Velzen, sociólogo; e Dolf Hautvast, especialista em Mediação de Conflitos e Prevenção de Violência nas escolas.
Produzido de forma a incorporar não apenas o conhecimento resultante de pesquisas no Brasil, Holanda e Estados Unidos, mas também as práticas de quem hoje atua em escolas públicas, o livro teve sua estrutura desenhada a partir de encontros realizados em 2006 e 2007 entre professores, alunos, ONGs ligadas à Educação, psicólogos e especialistas em juventude. Colaboraram ainda Mônica Mumme, psicóloga e especialista em Facilitação de Mudanças Educacionais do CECIP, e Frank van Hout, consultor do APS International. Rubem Alves assina a apresentação do livro, que traz ilustrações de Claudius.
De acordo com os autores, as manifestações de violência na escola não podem ser consideradas apenas reflexos da violência social e econômica. A violência localizada tem causas internas e pedagógicas tão importantes quanto as externas, e é possível reverter essas causas. A relação comunidade–escola não é uma via de mão única. "Se uma comunidade violenta pode ter um impacto negativo na escola, uma escola aprendiz, não violenta, pode também ter um impacto positivo sobre a comunidade", escrevem.
A obra faz um convite para os professores buscarem respostas práticas para as perguntas: O que as palavras conflito e violência significam para você?, Quais são os fatores internos e externos que podem gerar violências nas escolas?, Como prevenir as violências na escola?, Como interromper as violências quando elas se fazem presentes - e como restaurar os danos? e Como as lideranças escolares aumentam o seu poder de prevenir ou dar um basta às violências?
Crescimento e autonomia
No Morro dos Macacos, localizado no bairro carioca de Vila Isabel, berço de Noel Rosa, Martinho da Vila e de inúmeros artistas anônimos, fatos como a morte de Alana, de 13 anos, baleada no fogo cruzado entre traficantes e policiais quando levava a irmã menor à creche, ainda chocam. Mas iniciativas como a fundação do Centro Cultural da Criança (CCCria) mostram que há caminhos para reverter a questão da violência.
Ao narrar a trajetória do CCCria desde a sua concepção – uma iniciativa da comunidade -, os autores, sob a coordenação de Jovelina Protasio Ceccon, mostram em O castelo das crianças cidadãs o que é crescer no Morro dos Macacos e, mais importante, mostram o desejo dessas crianças. O projeto dá voz a elas, para que façam suas próprias escolhas, tornando-se, assim, protagonistas de suas vidas.
Ao todo, 200 crianças entre 4 e 10 anos frequentam o espaço fora do horário de escola e têm à disposição biblioteca, brinquedoteca, salas de vídeo, de artes, de informática, de música e uma área para exercícios de expressão corporal. Fruto de aliança entre o Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP), a Fundação Bernard van Leer e o Centro Comunitário Lídia dos Santos (CEACA-Vila), além de indivíduos e outras organizações, o centro funciona das 8h às 12h e das 13h às 17h, e conta com 14 profissionais.
Sobre o Imprensa Social
Lançado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 2004, o selo Imprensa Social edita livros em parceria com organizações não-governamentais e institutos sociais. Em 2008, o selo alcançou a marca de 25 títulos publicados, sendo que parte deste catálogo está disponível para download gratuito. Dentre os lançamentos recentes cabe destacar Psique e Negritude: Os efeitos psicossociais do racismo, com edição e entrevistas de Fernanda Pompeu, uma co-edição com o Instituto A MMA Psique e Negritude, e a Coleção Consumo Sustentável em Ação, lançada em 2009 pela Imprensa Oficial e pela 5 Elementos – Instituto de Pesquisa e Educação Ambiental.
Mais informações para a imprensa com Maria Fernanda Rodrigues (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814.4600
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