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Saiba como foi o curso ministrado por especialista holandês
Em uma sala do Colégio Pedro II - Humaitá, cercados e inspirados pela agitação do ambiente escolar, reuniram-se, no dia 18 de outubro de 2007, os vinte participantes da Oficina Aprendendo a evitar as violências nas escolas e a “controlar os danos” quando ela ocorre, coordenada pelo especialista em combate à violência no ambiente escolar Dolf Hautvast, membro do APS Internacional – Centro de Aperfeiçoamento de Escolas . O APS Internacional é uma organização não governamental holandesa que, desde 1997, coopera com o CECIP.
Além de Dolf, também estiveram presentes Boudewijn A. M. van Velzen, Diretor do APS Internacional e Els van Oostrum, Diretora do NA-CSI - Centro de Aperfeiçoamento das Escolas das Antilhas Holandesas.
A Oficina baseou-se em uma versão preliminar do livro Conflito na escola: modo de transformar, que será lançado em 2008 e é o segundo da Série Liderança Educacional , desenvolvida por CECIP e APS-Internacional .O objetivo da Oficina foi preparar educadores e facilitadores para convidar equipes escolares a refletir e agir a respeito de um tema essencial na construção de uma educação de qualidade: a criação de ambientes seguros de aprendizagem para crianças, jovens e adultos.
A sensação de medo e insegurança bloqueia a aprendizagem. E a grande preocupação do Brasil hoje é fazer com que nossas crianças e jovens aprendam mais. No momento em que governo e sociedade unem-se no Compromisso Todos pela Educação, e as escolas são convidadas a colocar em prática o Plano de Desenvolvimento da Educação- PDE 2007-2022, CECIP e APS International vêm oferecer instrumentos para que, em parceria com jovens, famílias e organizações da sociedade, as unidades escolares possam prevenir conflitos destrutivos e acabar com as violências, quando elas ocorrem no espaço escolar.
Durante a Oficina de seis horas, Dolf ofereceu uma pequena amostra de como o livro poderá ser utilizado nas escolas. Pela manhã, após uma atividade de integração entre os participantes, o especialista abordou a importância de estabelecer os significados de “conflito” e “violência”. Conflito faz parte da vida e representa oportunidade para se realizar mudanças positivas. Conflitos mal administrados podem resultar em violência, onde a conexão entre as pessoas é rompida. A prevenção da violência é a chave para um ambiente de aprendizagem harmonioso, onde o equilíbrio prepondera e todos encontram oportunidades para aprender.
Dolf também mostrou que manter esse equilíbrio é o alvo das medidas tomadas na Etapa Preventiva. Elas visam, principalmente, criar sentimentos de pertencimento, competência e autonomia entre todos os integrantes da escola. Participação integrada de alunos, equipe escolar e comunidade nas decisões e um currículo que faz sentido e é relevante são a base da prevenção da violência. Em uma escola onde há conexão entre alunos, docentes, gestores, famílias e comunidade, a confiança se fortalece, e a aprendizagem cresce. Nesse ambiente de equilíbrio, os conflitos são superados por meio da escuta mútua.
Há ocasiões, entretanto, em que os conflitos fogem do controle e se transformam em agressão e desrespeito. As violências surgem – é o Momento de Desequilíbrio. Estratégias específicas para que os educadores e os alunos possam lidar com essa situação – por exemplo, uma briga entre jovens – foram abordadas por Dolf.
Passado o momento de desequilíbrio, a violência foi contida, mas é preciso tratar as seqüelas. Relações foram abaladas ou rompidas, a confiança mútua foi destruída. Como restaurar o equilíbrio e retornar à situação da Etapa Preventiva?
Aí entram as estratégias da Etapa Curativa. Nesse estágio, o papel fundamental do educador é restaurar a confiança. Soluções simplesmente punitivas costumam aprofundar o conflito e gerar mais violência. A tarefa do educador é acolher as diferenças e as emoções que precisam expressar-se, sabendo, ao mesmo tempo, estabelecer limites e fazer respeitarem-se as regras.
Na parte da tarde, os participantes dividiram-se em grupos para debater exemplos de práticas que podem adotadas nas escolas. Na Etapa Preventiva, sugeriu-se a Conferência Escolar, realizada periodicamente com a presença de gestores, professores, alunos, funcionários e pais e o Código Escola Não Violenta, resultado da Conferência Escolar. Para a Etapa Curativa, as propostas foram o Treinamento de alunos em mediação inter-pares na escola e o Círculo Restaurativo, estratégia de Justiça Restaurativa que está sendo implementada em algumas escolas brasileiras.
Ao final do encontro, os participantes se comprometeram a discutir e/ou tentar realizar em suas escolas duas destas práticas, adaptando-as à sua realidade. Em março de 2008, Dolf retorna ao Brasil para encontrar novamente o grupo, debater as experiências vividas e apresentar o livro Conflito na escola: modo de transformar, segundo da Série Liderança Educacional, que já deverá estar pronto para ser enviado à gráfica.
Este segundo encontro, em março de 2008, será aberto a pessoas que não estiveram presentes no primeiro encontro. Se você tem interesse em participar, entre em contato com o CECIP.
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