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Conheça Dolf Hauvast, especialista holandês em combate à violência escolar
O especialista Dolf Hautwast , 60 anos, casado, três filhos, formado em Pedagogia e Estudos Sociais, com especialização em Mediação de Conflitos pelo Merlyn Institute, organização reconhecida pela Suprema Corte da Holanda, foi convidado pelo CECIP (www.cecip.org.br) e o APS Internacional (www.apsinternational.nl) para compartilhar com os educadores brasileiros a sua experiência, no seminário APRENDENDO A EVITAR A VIOLÊNCIA NA ESCOLA E A CONTROLAR OS DANOS, QUANDO ELA ACONTECE.
Membro do APS Internacional - Centro de Aperfeiçoamento de Escolas - desde 1992, Dolf atua como Consultor Sênior em Educação junto a governos locais na Holanda e em outros países da Europa, com base em sua bem sucedida experiência junto a escolas e instituições de reabilitação de jovens, como membro do Conselho dos Institutos de Programas de Assistência a Jovens das cidades de Utrecht e Amersfoort.
A vasta experiência internacional de Dolf Hautvast inclui a orientação e a formação de educadores em regiões de graves conflitos, como os Bálcãs, a Armênia, as Filipinas, o Timor Leste e a África do Sul.
Dolf tem procurado disponibilizar e sistematizar as reflexões do saber acumulado por essas experiências em uma produção contínua de artigos e livros. Dentre suas publicações disponíveis em inglês destacam-se o “Manual de Cidadania em Escolas”, 2003 e “A Escola de 24 Horas”, 2007. Em breve, teremos acesso ao seu pensamento em português, pois Dolf é um dos autores do livro Conflito na Escola: da negação à transformação, a ser publicado em 2008 pela Artmed.
Sua atuação na prevenção de conflitos em escolas situadas em áreas pobres de Utrecht, Amsterdã e Arnhem (habitadas por uma maioria de famílias de migrantes, com alta taxa de desemprego e problemas sociais) e na construção de programas de apoio e recuperação de jovens infratores, tem despertado o interesse da mídia e do governo na Holanda.
Com efeito, Dolf vem realizando, há mais de uma década, treinamentos para professores-mentores nas escolas. Esses professores-mentores aprendem como dialogar individualmente com alunos, ou com classes, sobre assuntos relativos ao seu bem estar, tipo bullying, segurança, valores, cooperação ou trabalho. Dolf criou módulos para orientar a atuação desses docentes com alunos que apresentam graves problemas comportamentais, como brigas, assédio sexual, insultos e ameaças a professores. Os resultados têm sido tão positivos, que mudaram essa realidade nas escolas. A experiência tem sido objeto de uma série de artigos e entrevistas em publicações dedicadas à educação na Holanda.
Dolf desenvolveu, com Johan Hamstra (APS), um programa que se propõe, em seis semanas, a transformar classes em que os professores têm até medo de entrar, em classes que passam a funcionar harmoniosamente. Qual é o segredo? Ele está em quatro pontos essenciais: 1. cooperação das lideranças da escola; 2. compromisso de todos os professores em mudar sua abordagem e seu modo de ensinar; 3. oficinas com os alunos, onde eles mesmos descobrem o que está errado e propõem alternativas; e 4. treinamento de alunos e professores como mediadores para prevenir a violência e lidar com os conflitos na escola.
Quem pensa que a Holanda, país altamente industrializado e com longa tradição humanista, está a salvo de violências, ficará surpreso com os problemas com os quais Dolf foi confrontado. Foram situações extremas, entre elas um tiroteio onde 14 alunos morreram e 60 ficaram feridos; um diretor assassinado por um estudante na cantina da escola; o suicídio de alunos e professores; ou ameaças e assaltos a mão armada, praticados por alunos. Para responder a esses desafios, Dolf desenvolveu, com ajuda de outros colegas, um Plano de Controle de Danos e uma abordagem inovadora, capaz de trazer de volta às escolas afetadas por essas violências a sensação de segurança, indispensável para que possam funcionar.
As prefeituras de cidades com áreas problemáticas, solicitaram que Dolf elaborasse o que ficou conhecido como Programas Especiais para Jovens em Risco, destinados a adolescentes que abandonam as escolas e/ou se envolvem com o crime e a violência. Levando em conta que a maioria desses jovens desenvolve, ao longo dos anos, uma verdadeira “alergia” a escolas, professores e educadores/assistentes sociais, foi criada uma criativa abordagem para lidar com os jovens, baseada em Aprendizagem Natural e Participação Comunitária.
O maior dos desafios está sendo enfrentado por Dolf nesse momento: ele foi convidado a transformar em Escola 24 Horas uma prisão para jovens envolvidos em violência, drogas e abuso sexual. A idéia é apoiá-los em mudanças de atitude decididas por eles mesmos. Na implementação desse Programa, integra o que aprendeu na convivência com os jovens difíceis nas escolas e no intercâmbio com outras experiências bem sucedidas na mesma linha, como a Escola Eagle Rock, nos Estados Unidos. É uma experiência da qual temos muito a aprender.
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